.17 de mar de 2015







Conheço quem sou.

Compreendo onde estou.

Nutro as mais belas fantasias. Muito delas são ilusões e como não amar o que não é real?
O que é irreal é tão doce e aceitável como o surreal.

Nego-me a aceitar essa realidade maldita. Onde palavras são mal ditas.
Onde as pessoas nunca são compreendidas.

Perdi-me festivamente em contos que envolvem magia.
Ninguém pode me negar a alegria.

A cada dia sinto-me sem ser eu.
Desprendi-me de quem um dia fui.

Os dias passados me aproximaram da morte.
Aquela que apaga a luz do porte.
Luz da Vida.

A cada aniversário,
Chego mais perto do fim.
Não quero que seja assim.

Como saber o que está por vir?

Atormenta estou.

As pessoas perdidas e os relacionamentos rompidos me venceram.
Me levaram.
Romperam meu escudo de força.
Todo dia não sou quem fui no dia anterior.
Sou nova a cada amanhecer.
Ao entardecer encerra-se um ciclo.

Amanhã será um ser sem identidade.
Perto da Verdade.

Desnuda.
Crua.

Carregada de marcas.
Igual a de Caim.
Aquela que marcou seu fim.

Destruída pelas pessoas.
Aniquiladas por tantas verdades.
Levada pela vaidade.

Dissimulada.
De mãos atadas.

Escoltada.

Sofrida.

Minh máscara foi tirada.

A vida dura me deixou machucada.
A cada dia vivido fico fragmentada.

Perco minhas partes com cada versão atualizada.
Meu software não aguenta mais tanta informação.
Está próxima a aniquilação do meu frágil coração.

Meu hardware está velho.
Um dia meu corpo será jogado entre os antigos martelos.

Meu nome será esquecido.

Não há eternidade.
Inventaram esse termo para não nos entregamos a vaidade.
Não sermos levados pela brevidade.

Viver não tem idade.
Entrego-me ao destino.

Distraída, quem sabe
Eu encontre a Felicidade.

Joanice Oliveira











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