.14 de mai de 2015

Resenha do livro A corrosão do Caráter – Richard Sennett

Nome: A corrosão do Caráter
Autor: Richard Sennett
Editora: Record
Ano: 2011
Ed°: 16°
N° de páginas: 176


Como sou estudante de Turismo e Ciências Sociais e apaixonada por tudo que envolva Filosofia, Sociologia, Literatura e afins sempre estou lendo livros que tenham essas ciências nos textos e livros que leio.

Achei esse livro sem querer na biblioteca da UFMA. Eu estava à procura de outro livro do mesmo autor – O Artificie – e gostei do que estava escrito na orelha do livro sobre o enredo da obra e do autor. O livro trata sobre as consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo.

Richard começa falando as mudanças nas relações humanas, onde as pessoas tendem hoje a serem vistas como objetos em venda e constante troca, consequentemente como produtos podem ser descartados a qualquer momento sem aviso prévio. Os relacionamentos humanos tornaram-se cada vez mais frágeis e ausentes de elos profundos e substanciais para as pessoas. O sistema capitalista não só modificou todo o cenário econômico do planeta, mas mudou todo o contato humano e a vida social.

O livro se baseia em entrevistas que o autor fez na década de 90 – onde surgira o Novo Capitalismo – com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muito outros, Sennett estuda os efeitos desorientados do novo capitalismo.

Durante toda a leitura do livro, Richard faz um elo sobre o passado das indústrias e empresas antes da Revolução Industrial e as atuais estruturas modernas industriais e empresariais. O foco mudou visivelmente. Há um pouco mais de um século as empresas possuíam estruturas com hierarquias fixas e sem mudanças bruscas como as atuais, nas quais os funcionários têm um movimento livre entre os diversos setores de uma mesma empresa.

O ingrediente de mais forte sabor nesse novo processo produtivo é a disposição de deixar que as mutantes demandas do mundo externo determinem a estrutura interna das instituições. ”

A lealdade e a fidelidade eram traços no caráter dos antigos funcionários das empresas do século XX. Carregava-se um “amor” ao trabalho. As pessoas viviam toda sua carreira profissional em um só lugar. Em uma só empresa. Longevidade no emprego significava sucesso profissional e status social. 

No século XXI isso tornou-se obsoleto e inverso. As hierarquias foram derrubadas e as pessoas ganharam liberdade para trabalharem onde quiserem e por quanto tempo se sentirem bem naquele local. Entretanto, o autor nos lembra que essa liberdade gera um sentimento de não pertencimento. Nasce nessa relação problemas que aparentam ser superficiais, mas são mais profundos que as raízes de uma mangueira.

As relações humanas tornaram um Mercado, onde apenas os funcionais podem ficar. Qualquer empresa pode demitir seus funcionários sem avisar e argumentar que a culpa foi do Mercado e outros fatores. As relações tornam-se temporárias e sem profundezas. As pessoas tornam-se vulneráveis ao movimento econômico e sentem-se sem “ um lugar seu”. Não sabem para que servem. Perdem-se no meio dessa flexibilidade que o Capitalismo lhe oferece. São mais controladas em seus trabalhos em casa do que seus colegas que estão no local de trabalho. Melhora-se o trabalho, mas não as relações pessoais.

E quando comerciantes admitem necessidade mútua, observou Montesquieu um século depois, “o comércio... lustra e suaviza modos bárbaros. ”

O jogo capitalista dar vitória aos que possuem Poder Aquisitivo e podem “flutuar” por esses dilemas. Não são abalados pelas crises existenciais, porque não possuem “casas” fixas. Sentem-se bem em qualquer lugar. Podem modificar a realidade de muitos e os que não são detentores desse poder “mágico” são obrigados a viverem com problemas existenciais e viverem à mercê do mercado.

“ [...] apesar de seus vários resultados, a mobilidade empresarial descendente gera uma condição limiar flutuante, ambígua. ”

Sennett também fala que hoje as pessoas trocam de profissão não por vontade in priori, mas por força do mercado. Ocupam um trabalho devido as forças econômicas e não por prazer. Não se sentem obrigados a carregarem uma paixão pelo local onde trabalham. Não são apaixonados pelo seu trabalho. Apenas querem está ali enquanto lhe renderem dinheiro. Não há elo entre os funcionários. Nisso Marx errou. As categorias se fragmentaram. Não há necessidade de ligação com os demais.

Mas sei que um regime que não oferece aos seres humanos motivos para ligarem uns para os outros não pode preservar sua legitimidade 


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