.9 de mai de 2015

Resenha do Livro “ Put sem farofa” de Gregório Duvivier


Nome: Put sem farofa
Autor: Gregório Duvivier
Ano: 2014
Editora: Companhia das Letras

N° de páginas: 208


Sinopse:

Trata-se de uma amostra da verve humorística - embebida de zeitgeist, crítica ferina e muito afeto - de Gregorio Duvivier, um dos autores mais inventivos e promissores do Brasil na atualidade. Reunindo o melhor de sua produção ficcional, Put some farofatraz textos publicados na Folha de S.Paulo e esquetes escritos para o canal Porta dos Fundos, além de alguns inéditos. 
Se Gregorio revela o raro dom da multiplicidade, tendo despontado no cenário cultural brasileiro ao mesmo tempo como ator, roteirista, comediante, cronista e poeta, também múltiplo é este volume, que transita entre ficções, memórias de infância, ensaios sobre artistas que o influenciaram, artigos de opinião, exercícios de estilo e experimentações sem fim. Os textos vão da pauta que está sendo debatida naquele dia no jornal ao completo nonsense; do lirismo ao humor escrachado; do íntimo ao universal.
No conjunto, o que espanta no autor é o frescor, a coragem, e, sobretudo, a capacidade inesgotável de se renovar a cada semana, contando sempre com a inteligência e a sensibilidade do leitor.



Esse livro é de um humor típico dos programas televisivos da MTV e Rede Globo – a Tv na TV- aquele humor que impacta quem não está acostumado as palavras sem avisos prévios de spoillers.

Gregório Duvivier como ele mesmo diz “um faz tudo”, não tem como intitulá-lo como cronista, poeta, humorista e afins. Ele tudo em um só. Nesse livro ele cumpre todos esses papéis de forma bem divertida e atraente aos leitores.

O livro é uma reunião de crônicas e poemas de Gregório que tem temas variados o que atrai os mais diversos públicos. As crônicas são muito similares ao grande Millôr – esse que Duvivier é fã – com as construções simples, mas com um humor sem pudor e direto.

Vários temas são abordados nos textos do autor. O tema com maior gama de textos são os relacionamentos que são tratados com ironias e um bom humor negro em suas palavras. Algumas vezes Gregório remete suas palavras para lições que aprendeu vivendo ou observando as situações rotineiras de sua vida: “Não sei quem está certo. Mas aprendi que as brigas de casal pertencem ao universo quântico. Duas pessoas falando coisas opostas podem estar igualmente certas — e frequentemente estão. Tudo o que eu queria era poder guardá-los no palco, tocando juntos — infalíveis. ”

A capa do livro é bem do jeito do humorista, simples e engraçada.

Algo bem interessante no livro é a descontrução de preconceitos sociais que o autor trata com responsabilidade e seriedade sem deixar o humor de lado. A brincadeira com coisas sérias faz dos textos um posicionamento do autor diante esses problemas sociais: “Recentemente anunciaram que uma mulher presidiria uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: “Essa eu comeria fácil” ou “Até que não é tão baranga assim”. O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre este: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores. ”

Algo que adoro no humor contemporâneo e que é marca registrada do Duvivier é a brincadeira com as religiões. Ele brinca com a figura divina sem ofender quem ler – no meu caso, não me ofendeu em nada- e chamar a atenção ao senso comum e a alienação religiosa que a maioria das pessoas tem caídos, sendo levadas por “homens de Deus” ou “profetas enviados por God” ou aqueles que pedem – dinheiro – em nome de um Ser Supremo e esses mesmo nem sabe qual destino essa oferta é dada. “[...]A propósito: esse povo pra quem vocês doam o dízimo não está me repassando o valor. Ninguém até hoje sequer me pediu minha conta pessoal. ”

Toca na ferida, como ele mesmo diz nas hipocrisias diárias. Nos julgamentos prévios. “A mulher da minha coleção critica periguetes porque elas não se dão valor — chama isso de feminismo. Saia curta, nem pensar. “Depois reclama quando é estuprada…” A mulher da minha coleção acha que mulher gorda devia evitar sair de casa. “Ninguém é obrigado a ver gente obesa. ” A mulher da minha coleção finge que não sabe que é traída pelo homem da minha coleção e se vinga estourando o limite do cartão de crédito do homem da minha coleção, que por sua vez finge que não sabe e se vinga saindo com outras mulheres da minha coleção. ”

Um livro que me surpreendeu. Fez-me ri muito e refletir também.

“Aí você me pergunta: vale a pena ver um seriado tão longo que pode ser interrompido a qualquer momento sem que te expliquem porra nenhuma? Talvez valha, como Seinfeld, pelas tardes com os amigos tomando café e falando merda. Ou, como Girls, pelas cenas de sexo. E pela nudez. Talvez valha, como Chaves, pra rir das mesmas piadas e chorar quando você menos espera. Pelos churros. Pelos sanduíches de presunto. E vale, de qualquer maneira, porque a vida, chata, óbvia ou repetitiva, é a única coisa que está passando. ”


Nenhum comentário:

Postar um comentário

© Poesia que encanta a vida - 2016 | Todos os direitos reservados. | Tecnologia do Blogger