.4 de mai de 2015

Resenha do livro Um amor cem intenções – Li Mendi

Nome: Um amor cem intenções
Autora: Li Mendes
Ano: 2012
N° de páginas: 72


Conheci a autora faz pouco tempo. Estava visitando outros blogs e vi uma resenha sobre um livro dela e gostei da sinopse. Busquei informações sobre ele e descobri que é brasileira e carioca. Jornalista e publicitária por formação e escritora por diversão e profissão. Casada com um homem que trabalha no Exército Brasileiro. Ama escrever e o que mais me atraiu...viveu um namoro à distância por dois anos – seu atual marido – e para quem não sabe também namoro à distância.

O livro me atraiu pelo título: Um amor cem intenções. Bem convidativo. O amor tem mil intenções. Todas encobertas e descobertas com a retirada fina que envolve esse conflitante sentimento.

A obra é formada por opiniões pessoais da autora e de informações sobre o capitalismo e a globalização misturado com contos da autora. Uma mistura bem divertida e questionadora. O Amor não tem forma. Ele só assume forma no olhar de quem amamos. Só o conhecemos quando amamos.

“Ser de todo mundo e não ser de ninguém. ” Lendo percebemos que as pessoas parecem ter medo de amar. Sabem a importância que o amor tem em suas vidas, mas fogem da responsabilidade que isso traz. Querem rapidez e pouco envolvimento. Querem facilidades em seus relacionamentos. Não querem se machucar. Evitam se ferir. Enfim, parecem criar uma romantização do Amor que é ilusória, enganadora e perigosa.

Com o sofrimento e as frustrações geradas por relacionamentos ruins ou que acabaram, crescemos. Evoluímos. Deixamos de ser ingênuos em determinados assuntos. Nos tornamos mais prudentes e seletivos, mas nunca devemos nos fechar para outros amores, pois com a autora fala: “[...]o melhor remédio para esquecer um amor que te fez sofrer é amar outra vez. ”

Tantas vezes somos sucumbidos pela paixão e não percebemos – ou melhor, sabemos – que o atual relacionamento não é gratificante e só trará dores e continuamos com ele. Preferimos a acomodação do que a mudança. “O mais importante é começar a refletir no lado prático da vida, pois estar com alguém com quem você não tenha a menor perspectiva futura pode fazer crescer uma raiz dolorosa de se extrair quando o fim vier à tona. ”


 No decorrer do livro fui mais apaixonada pela leveza e a profundidade do livro. Li Mendi entrou para a lista de escritores favoritos meus. Estou lendo muitos livros de sociologia que trabalham sob a ótica das relações humanas e sua fragilidade atual e as palavras de Li, principalmente quando cita o sociólogo Zygmunt Bauman – que admiro demais – percebi que tinha muito em comum com essa autora.

“Amamos os quadros que penduramos no nosso coração. ” A autora lembra que amamos fantasias e não a realidade. Criamos seres que não são reais. Criamos objetos amados que são diferentes das pessoas que amamos. Nos apegamos com a ilusão.

“No amor, nem sempre fazer o certo é ser feliz. Estar com aquela pessoa que todos consideram ideal e não cometer a loucura de correr atrás daquela que verdadeiramente amamos é um risco de chegar aos 85 e perceber que não dá mais tempo. Já se foi a vida. ”

O amor é loucura. A linha da sanidade e da loucura parece desparecer quando estamos apaixonados. Esquecemos os outros e caminhamos apenas com a coragem que o sentimento nos dar. Ultrapassamos preconceitos e negamos parar diante de conselhos e exemplos de outras pessoas. Fazemos aqui nossas escolhas. Escrevemos nossas histórias. Caminhamos juntamente com quem amamos.


O amor nos muda. Queremos o outro. “Quando o homem está com a namorada geralmente fica calmo e não faz besteiras. Quando está com os amigos acaba bebendo e entrando em furadas. ”
No Amor descobrimos a diferença entre desejar e necessitar. Necessitamos do que é essencial e desejemos o que é efêmero.

Aprendemos vivendo. Sem restrições. A atual sociedade nos deu a liberdade de viver diversos amores. Aprender com eles. Gera experiências diferentes. Não parar de amar, só porque alguém nos feriu. Errar é da nossa natureza. Somos humanos. Não há certo ou errado. Errado é não viver.


O amor cem intenções, conquistou – me profundamente. Falou diretamente ao meu coração e colocou minha mente em questionamento. Acho que por encontrar alguém que compartilhe de parte da minha visão sobre o Amor e a vivência do amor à distância, deparei-me com uma amiga sem conhece-la. Apaixonei-me por suas palavras. Enfim...uma confidente em suas obras.


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