.1 de jul de 2015

Deixe a Inglaterra Tremer - Sávio Lopes [Resenha]



Sinopse:

Embalado pelo ritmo frenético das letras das canções de rock alternativo que antecipam cada passagem do livro, “Deixe a Inglaterra Tremer” é o retrato de como Londres se tornou um pólo multicultural nos últimos anos.

Esse livro eu ganhei num sorteio de uma página no facebook e eu quase gritei no estágio quando vi que era eu que tinha ganhado. Eu desejava muito esse livro. A capa tinha me fascinado.

O autor da obra se chama Sávio Lopes e é um mineirinho fofo que conta sua experiência curta, mas bem intensa em Londres.

O que mais me encantou nesse livro é a leveza e a intensidade de sentimentos e emoções que ele faz os leitores sentirem como se fossem eles que estivessem na bela Londres. Quando eu viajar para a capital da Inglaterra e a famosa terra da Rainha, vou buscar os lugares que ele menciona com tantos detalhes no livro. Quero conhecer todos os museus e principalmente a casa de Jane Austen – minha romancista favorita- e do meu personagem predileto – Sherlock Holmes.

Com a aventura desse mineirinho percebemos seu crescimento pessoal e emocional nessa cidade completamente diferente da cidade interiorana que viveu em Minas Gerais. Para quem não sabe esse jovem fascinante que muitas vezes pareceu tanto comigo, que tive que parar muitas vezes a leitura e pensar: “ Cara, parece que estou lendo meus pensamentos. Como ele pode ser tão parecido comigo? ”. Isso me atraiu ainda mais para a leitura. A proximidade de personagens sempre cria um campo de interesse. Sua visão de mundo e de muitos amigos que ele fez em Londres parecem com a minha e isso gera admiração mútua.

Sua viagem se deu entre o final de 2009 e o início de 2010. Ele chegou na época que os ingleses parecem mais mal-humorados que nunca. Sem a constância dos raios solares, qualquer pessoa se torna mais distante e fria. Parece brincadeira, mas é verdade. Se observamos o Brasil, veremos que as pessoas ditas mais “hospitaleiras” e alegres são os nordestinos que vivem mais de 80% do ano com a insistência dos raios solares em suas vidas e normalmente parecem mais felizes e alegres com a vida do que as pessoas do Sul e Sudeste do país.

Nessa aventura, conhecemos Sávio pelas suas confissões e muitas frustrações consigo mesmo. Ele lembra uma lagarta se fechando em seu casulo e após um pouco tempo depois torna-se uma bela e magnífica borboleta. Ele chega sendo aquele garoto que morou na Bélgica na infância, depois retorna para o interior de Minas Gerais e estuda Jornalismo e como percebemos é quase “antissocial” e parece não se encaixar em nenhum grupo social. Acredito que ele era muito superprotegido e isso gerou muita acomodação em sua personalidade e o mais engraçado é que ele diz tem preguiça social. Ri muito quando li isso. Também odeio aquela fase inicial de conhecer as pessoas. Parece tudo tão previsível. Hoje em dia que me tornei mais aberta e receptiva, mas tive que passar por tratamento de choque para me transformar em uma borboleta livre.

Acho que demoro muito para perceber quando me torno amigo das pessoas; geralmente, só me dou conta disso quando eles partem. Não que eu não dê valor às minhas amizades; faço tudo pelos meus amigos de verdade. Mas creio que o motivo de agir assim é por me acostumar com a convivência sem me dar conta de que a amizade surgiu. ”

Esse mineirinho me surpreendeu com seu livro. Não é só uma contação de estórias. É uma narração emocionante de sua aventura. Faltou foi romance. Entretanto, sei que ele teve uma “queda” por uma certa menina (risos), todavia é melhor lerem do que eu contar essa parte “romântica” do livro. Será que ele percebeu esse sentimento nele e na guria? Não sei. Eu percebi.

Nessa viagem, Sávio aprende que frustrações são inevitáveis em nossa vida, mas nunca devemos nos curvar diante as dificuldades e principalmente com pessoas que não trabalham corretamente com quem contrata seus serviços, como ele nos conta da Escola que ele contratou para estudar e que no começo lhe ofereceu apenas desprezo e indiferença. Sávio conseguiu contornar a situação e impor respeito.

Ele adquire a sabedoria do respeito. Aprende com a experiência de conviver com diversas pessoas das mais variadas etnias e religiões do planeta. Parece que Londres é o centro da cultura do mundo todo. Ele nos detalha que lá, os estrangeiros não deixam de ser quem são. Parece que são estimulados a serem quem carregam em sua genética e sangue “cultural”. O que me irritou muitas vezes foi o preconceito étnico de muitos de seus colegas de classes com pessoas de países como Brasil, Oriente Médio e afins. Só com muita paciência para não quebrar a cara de quem é preconceituoso.

Esse livro é emocionante. Não é só relatos. Sávio abre sua vida e nos convida a tomar uma bela Coca-Cola com cookies em sua casa e nos saborear com suas aventuras na capital da cultura mundial.

"Hoje, veio a situação de forma diferente. No momento ouço Gilberto Gil cantar: Hoje me sinto como se ter ido fosse necessário para voltar tanto mais vivo de vida mais vivida, dividida de pra lá e pra cá. ” 


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