.30 de jul de 2015

[Resenha] Poemas que Desisti de Rasgar - David Cohen



Resenha do livro Poemas que desisti de rasgar – David Cohen
Nome: Poemas que Desisti de Rasgar
Autor: David Cohen
Editora: 5W
Ano: 2014

N° de páginas: 105


SINOPSE:

Em Poemas que desisti de rasgar, a ideia do poeta David Cohen é criar um paralelismo entre a frase de Guimarães Rosa “Viver é um rasgar-se e remendar-se” e o próprio fazer poético. De acordo com o autor, é inerente ao trabalho do escritor a primeira avaliação de sua obra, selecionando o que deve ser guardado e o que merece ser descartado. À semelhança da vida, o escritor, durante o processo criativo, se reinventa a cada palavra, rasgando e remendando seus textos, que posteriormente serão “rasgados e remendados” pelos olhos dos leitores. Por este motivo, Poemas que desisti de rasgar é um convite e uma provocação: o leitor dará a palavra final sobre o que deve permanecer.

Esse livro é a leveza em palavras e rimas livres. Encontrei nele um portal para a infância e um convite ao mundo dos poetas. Esse a qual eu faço parte também.

É o primeiro livro de David Cohen que li na minha vida e sabia que uma experiência sem precedências e que trouxe tranquilidade ao meu coração e calma a minha mente.

O autor retrata poemas que trazem como sua carreira de poeta começou desde a infância e como seu talento para as letras e as rimas fizeram dele alvo de piadas e incredulidade de sua família diante sua aptidão para os versos poéticos.

Só quem escreve poemas e tem um olhar diferente e observador para qualquer coisa que veja, ouça ou sinta sabe o que sofremos quando apresentamos nossa paixão pelos versos e com David não foi diferente. Num dos seus poemas ele diz: “ Para minha mãe poesia não enche barriga. ” Percebemos que a mãe gostou do talento de Cohen, mas logo o avisou que viver de versos e rimas não faria ele ganhar lá muito dinheiro.

O livro traz temas como o amadurecimento, onde as pessoas sempre nos dizem que quando crescemos seremos maduros suficientes para tomar escolhas certas e estar com nossa vida bem encaminhada, mas o poeta nos lembra em seu poema Mais Velho que “ Aos 15 anos/ me disseram que aos 30/ estaria maduro e poeta. ” Se continuamos lendo o poema, nos deparamos com a voz do poema dizendo que ele chegou a uma idade mais avançada e não tempo para nada e só lhe resta trabalhar e as palavras que escutara em sua adolescência nunca se concretizaram.

Em meio ao amadurecimento, vemos o complexo de Peter Pan que a maioria de nós tivemos na infância. Aquele medo de crescer e ter a vida de adulto que é chata e cheia de compromissos. Como a frase da minha maravilhosa Clarice Lispector: “ Queria ser criança, pois na infância só me importava com joelhos machucados. ” O autor traz à tona a vida agitada que os adultos têm e que levam com seu cotidiano acelerado a visão de pureza e descoberta que as crianças têm. Os poetas são como crianças, tudo é descoberta. Nada é igual. Tudo é poesia.

Há poemas tributados à Carlos Drummond de Andrade e Manoel de Barros, poetas que marcaram a literatura poética de nosso país e são referência ao nosso autor.

A coletânea de poemas é dividida em duas partes no livro; a primeira é chamada de Desamassados que ao meu ver são poemas que foram jogados na lixeira e foram resgatados pelo autor e a segunda parte chamada de Salvos pelo tempo que é a parte de poemas que foram “salvas” pelo bom senso de David.

A segunda parte traz poemas como Encontro Marcado que é um poema que fala da inspiração do poeta, onde David prepara seu lar para a chegada do poema perfeito. Toma vinho e espera uma, duas, três e muitas outras horas e o que chega é o sono. Isso traduz que o poema chega na hora que ele quiser e nada que o força a aparecer, como Cohen nos diz “ Não se marca encontro com poemas: eles exigem eternidade. ”

Os poemas finais trazem à Morte como convidada e a chamam de amiga que não é convidada, mas chega para todos. Seja para enterrar algum poema que um dia viria a ser escrito ou levar os seres humanos ao descanso de seus corpos e a libertação de suas almas.

Despertar de um sonho/ é perceber que também se morre com o abrir dos olhos. ”





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