.29 de ago de 2015

[Resenha] O Fim de Todos Nós - Megan Crewe

Título: O Fim de Todos Nós
Autora: Megan Crewe
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
N°de páginas: 270
Sinopse:
Tudo tem início com uma coceira insistente. Então vêm a febre e comichão na garganta. Dias depois, você está contando seus segredos mais constrangedores por aí e conversando intimamente com qualquer desconhecido. Mais um pouco e começam as alucinações paranoicas. Então você morre. A ilha onde mora Kaelyn, uma garota de 16 anos, foi sitiada e ninguém pode entrar nem sair: um vírus letal e não identificado se espalha entre os habitantes. Jovens, velhos, crianças — ninguém está a salvo, e a lista de óbitos não para de aumentar. Entre os sintomas da doença misteriosa está a perda das inibições sociais. Os infectados agem sem pudor, falam o que vem à mente e não hesitam em contaminar outras pessoas. A quarentena imposta pelo governo dificulta as pesquisas que trariam a cura, suprimentos e remédios não chegam em quantidade suficiente e quem ainda não foi infectado precisa lutar por água, energia e alimento. Nem todos, porém, assistem impassíveis ao colapso da ilha. Kaelyn é uma dessas pessoas. Enquanto o vírus leva seus amigos e familiares, ela insiste em acreditar que haverá uma salvação. Afinal, o que será dela e de todos se não houver?

Uma passada rápida na livraria e O Fim de Todos Nós venho fazer parte da minha coleção e que escolha certa eu fiz ao compra-lo. Quem adora leitura, sabe como é difícil resistir à uma comprinha, principalmente quando os livros estão em promoção. Olhei o livro e a capa me chamou para leva-lo. Peguei e o comprei.


Uma leitura rápida e fluída cheia de emoções dos personagens que se confundem constantemente com nossos sentimentos comuns e simples da vida. A história não permite que nos desliguemos nos personagens mesmo após o fim do livro. Até agora meu coração está apertado e preocupado com Kaelyn e seus amigos. Parece que me tornei alguma conhecida dela e de sua família.

O fim de todos nós conta a história de Kaelyn que retornou a sua cidade natal após uma temporada fora dela. O livro é contado por ela, pois trata-se de um diário pessoal da personagem. Nesse diário sabemos o que ocorreu com a ilha da sua cidade natal após a sua chegada que foi atacada por um vírus que deixa as pessoas fora de si. Não é um vírus como na série The Walking Dead onde o mesmo transforma as pessoas em zumbis após terem uma morte cerebral. Aqui as pessoas são acometidas por tosses fortes, comichão na garganta e febre alta, após essa fase são metralhadoras sociais. Falam com desconhecidos e familiares dizendo todos seus segredos e suas opiniões sobre as pessoas. Magoam as pessoas e nem percebem. Seus filtros sociais foram danificados e após isso chegam a fase final, tendo alucinações e são sucumbidos pela Morte.

É isso que fazemos. Preparamos chá, lemos livros e vemos as pessoas morrerem. ”

A cidade fora sitiada pelo Governo, pois a ilha tornou-se perigosa para a saúde do continente. Paralelo a isso temos conflitos pessoais e familiares se desenrolando diante as palavras de Kaelyn. Ela é uma adolescente de 16 anos que se martiriza por não ter feito as pazes com seu amigo Leo. Percebemos que ela gostava dele além da amizade, mas nunca tivera coragem de contar sobre seus sentimentos por ele. Só quando as mortes aumentam é que ela afirma em seu diário que era apaixonada por ele. Aqui, eu digo que detestei esse Leo mesmo sem conhece-lo. Ele parece ser indiferente a tudo que aconteceu com eles. Como que em 2 anos, ele NUNCA tentou reatar a amizade depois que ela fora morar em Toronto? Como um amigo acerta tão bem o rompimento de uma amizade de 10 anos sem nem insistir na trégua? Não me interessa os motivos dele, mas será o mínimo a se fazer. Kae pode ser teimosa e bem antissocial, mas amava Leo de verdade e percebemos isso com suas confissões diária, mas Leo é um idiota e ponto final.

A narrativa é feita através os dias. Começa no dia 2 de setembro e termina no dia 23 de dezembro. Tudo que conhecemos sobre os personagens é através de Kaelyn. Seu diário traz vários dramas familiares, como as brigas constantes entre sua mãe e seu tio Emmett que tem um gênio bem complicado de se lidar. Os desentendimentos de seu pai com seu irmão Drew que assumira sua homossexualidade quando foram morar em Toronto. Eles simplesmente se ignoram e seu irmão sempre provocar seu pai. Esse por vez desconta sua raiva e preconceito em suas pesquisas de microbiologia.

Mas ele age como se ter um filho que sente atração por um homem fosse algo tão inconcebível que ele não consegue sequer admitir a ideia. ”

Kaelyn é uma jovem com dilemas pessoais. É a estranha na escola. Cheia de manias e hobbies diferentes dos seus colegas de classe. Ela adora observar animais e conhecem os animais como ninguém. Parece que não se encaixa em nada. Suas únicas amigas são Mackenzie e Rachel. São amigas até o vírus aparecer e destruir todos os relacionamentos. Mackenzie morre devido a infecção. Pessoas começam a morrer e Kae é tomada pelo medo. Será que sua Família sobreviverá a essa peste? E será que ela verá Leo novamente?

É muito legal que você esteja se envolvendo, Kae. Tive certo medo de que você ficasse tão nervosa que acabasse enfiada no quarto deixando as coisas acontecerem. Acho que você é mais corajosa do que imaginei. ”

A propagação do vírus é rápida. Seu pai torna-se o líder do Hospital da cidade já que é microbiologista e descobrimos que ele já sabia desse vírus, mas esperou que ele se manifestasse para que pudesse estuda-lo. Um erro que faz Kaelyn odiá-lo. Muitas pessoas morrem. A perda foi imensa e a cidade a cada dia parece mais com um caos do que com aquela tranquilidade de 2 meses atrás.

A natureza não tem sentimento ou moral; ”

Crescemos muito com os acontecimentos que são apresentados à nós. A ilha onde Kaelyn mora é composta por pessoas brancas e de olhos claros. Ela é morena e seu amigo Leo era adotado e coreano. Eram os Diferentes do lugar e sofreram racismo em sua cidade natal. Somos convidados aqui a pensar em nossos preconceitos idiotas e a segregação racial. Todos olhavam para eles, como fossem extraterrestres e não seres humanos normais. Além disso vem as escolhas pessoais deles. Kaelyn adora observar os animais e pouco é sociável e Leo adora dança. Vai para Nova York para ser um dançarino de sucesso. O Bullying aqui é discutido e levado ao patamar de inaceitável e isso foi muito bom, porque sofri muito e até sofro com preconceitos devido meu jeito menos sociável e observador.

Não é só com as pessoas doentes que você deve se preocupar. Você está segura comigo, com minha mãe, meu pai e Drew. Não deve confiar em mais ninguém. ”

Aqui são os adolescentes que lideram a restauração de sua cidade. Conhecemos outros personagens que são secundários, mas simplesmente maravilhosos, como Meredith filha do Tio Emmett que fora abandonada pela sua mãe quando era um pouco mais nova e se apegara ao seu pai. O triste disso tudo é que ela também perde seu pai numa briga que aconteceu no cais da cidade, após um carregamento de alimentos e remédios chegar do continente ao local sitiado. Também a Tessa, a namorada de Leo. A menina que Kae tinha uma certa antipatia, mas que no fim tornaram-se amigas e tem o Gav. Como não amar o Gav? Ele é um jovem forte, corajoso e generoso. Sobrevivente do caos que a cidade está passando e se une a Kaelyn de uma forma tão doce e suave que não tem como não admirar o amor que aparece entre eles.

Estávamos de pé em frente ao carro quando ele me beijou de novo, e eu retribui. E fiquei feliz. Exultante. Como há nem sei quanto tempo não me sentia. ”

As perdas de Kae são imensas, mas as lições vieram. Mortes acontecem todo o dia, mas como Dave diz em The Walking Dead: “ Não importa o que aconteça, nunca esqueça sua humanidade. ” Palavras sábias que são bem claras no livro. Pessoas começam a enlouquecer com a doença e os que estão sãos querem se salvar e salvarem seus familiares a todo custo mesmo que isso envolva matar os doentes ou saquear lojas e casas pela cidade. Em tempos ruins, as pessoas perdem o bom senso e tornam-se monstros.

Quem dera fosse tão fácil entender as pessoas quanto é com os animais. Você faz um agrado em um cachorro e ele fica feliz. [...]Uma clara relação de causa e efeito. ”

O final é aquele Grand Finale que ninguém esperava. A história não termina do jeito que imaginamos. Ele simplesmente se encerra do jeito que deveria ser. A Esperança nunca morre e o Amor tudo pode. Sem ele a cidade não podia ser restaurada pelos sobreviventes, mesmo que esses não sejam nossos familiares.

Jamais quero que Gav se sinta como eu me senti, atraído para o penhasco, culpando-se por não conseguir salvar o mundo. ” 


4 comentários:

  1. Esse livro me lembrou muito O Pacto do Joe Hill. Só que nesse livro, o carinha lá de chifres que faz todos contarem seus segredos.
    Ainda não tinha ouvido falar nesse livro e curti muito sua resenha. Fiquei bem interessada.
    Beijos
    http://balaiodebabados.blogspot.com.br/

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    1. Luiza, muito obrigada!
      O livro é sensacional, porque aprendemos muito com os acontecimentos na cidade e na vida de Kae e acabamos nos envolvendo com tudo e torcendo por um final feliz.
      Esse é o primeiro de uma trilogia da autora.

      Beijos

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  2. Olááá!

    Por que será que ainda não li este livro? Percebi que estou perdendo tempooooo. Adorei a premissa do livro. E estou com ele há um tempão na estante. Vou tentar ler o mais rápido possível.

    beijoooooo!

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    1. Ana, corre para ler.
      O livro é muito bom e é o começo de uma trilogia que pelo jeito vai conquistar todos que lerem com atenção e tensão os últimos acontecimentos nessa ilha que esconde muitos segredos.

      Beijos!

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