.5 de out de 2015

[Resenha] E Se Fosse Verdade - Marc Levy

Título: E Se Fosse Verdade
Autor: Marc Levy
Editora: Suma das Letras
Ano: 1999
N°de páginas: 122


Sinopse:
'E se Fosse Verdade'... foi o primeiro sucesso do escritor francês Marc Levy. Narrando uma história de amor repleta de toques de fantasia e bom-humor, a fértil imaginação de Levy surpreendeu até o mestre Steven Spielberg - que transformou a obra de Levy em um dos maiores sucessos de cinema. Arthur é um arquiteto de sucesso em São Francisco. Um dia, exausto mas satisfeito, ele volta para seu recém-alugado apartamento depois de mais um dia de trabalho. Com caixas de papelão espalhadas pela sala lembrando-lhe duas obrigações, ele tira o terno e começa a desfazer os pacotes, dando início à arrumação do seu novo lar. Tarde da noite, terminado o trabalho, dirige-se ao banheiro, liga o rádio, tira a roupa e entra na banheira com um suspiro de alívio. Peggy Lee está cantando enquanto Arthur mergulha várias vezes a cabeça na água. É quando começa a ouvir o som de estalar de dedos vindo de dentro do armário do banheiro. Intrigado, sai da água e, pé ante pé, respira fundo, abre as portas do armário, arregala os olhos e faz um movimento de recuo ao perceber, oculta entre os cabides, uma mulher sentada, de olhos fechados, fascinada com o ritmo da música. Arthur conclui que aquela cena, no mínimo patética, foi planejada por seu sócio - uma espécie de brincadeira - com o intuito de dar-lhe as boas-vindas. Ele só não sabe ainda que essa mulher - que somente ele poderá ver dali em diante, um fantasma vivo - mudará a sua vida. Que pensar de uma mulher que escolhe o banheiro de seu próprio apartamento para viver? Que se espanta com o fato de seu novo morador pode vê-la? Que desaparece e reaparece à vontade e quer ser resgatada de um coma profundo no leito de um hospital do outro lado da cidade? Apesar de seu estado, a jovem e bela Lauren consegue, espiritualmente, voltar para o seu antigo apartamento. Para dentro do armário do banheiro. Inicialmente se recusando a acreditar na história de Lauren, Arthur só fica convencido de toda a verdade quando vai até o hospital e a encontra desacordada. A partir daí, ele vai fazer o impossível para ajudá-la a voltar ao seu estado natural.



“— Porque eu estou em dívida com alguém que em muito pouco tempo me ensinou muitas coisas, especialmente uma: o sabor da felicidade. Todos os sonhos têm um preço. ”

Sabe aquele filme E se fosse verdade na qual os dois personagens principais são interpretados pela talentosa atriz Reese Witherspoon e Mark Ruffalo? O filme foi baseado na obra de Marc Levy e posso dizer sinceramente que ambas são excelentes, mas o final do filme é mais completo do que o livro.

O livro conta a história de Lauren. Uma jovem médica (interna) que trabalha no Hospital Memorial na cidade de São Francisco no estado da Califórnia. Ela é bela: Alta, magra, morena, cabelos longos e olhos deslumbrantes. Ela vive para seus plantões no hospital. Quer crescer na carreira e se esforça para aprender tudo na neurologia e cirurgia geral. Ela mora sozinha num apartamento bem acima de um morro. Vive com sua cadelinha Kali. Não tem namorado e está preparada para um final de semana sem plantões.

Lauren sai com seu velho carro e inglês e lhe avisa se quebrar, vai parar na sucata. Está sorridente e feliz da vida. O final de semana promete. Só não esperava que sofreria um acidente poucos quilômetros depois de sua casa. Quase morrera. Passou por várias cirurgias e foi dada com morte cerebral pelo seu tutor no hospital. Sua mãe não permite que seus aparelhos que a mantém viva sejam desligados. Todos acreditam que não voltará do seu coma nível 4.

“Confessou com grande sinceridade que ser um fantasma não era nada divertido. Achava que era bem mais patético. Tudo é acessível, mas, ao mesmo tempo, tudo é impossível. Pior era ficar perto das pessoas que amava. Não podia estabelecer contato com elas. ”

Alguns meses se passam e Arthur, um arquiteto renomado aluga o apartamento de Lauren. Se instala no local e contempla a paisagem maravilhosa que tem da janela da sala. Quando vai trocar de roupa, ele se depara com a aparição de uma mulher bela. Alta, magra, morena, cabelos compridos e olhos deslumbrantes. Era Lauren. Ela começa a falar sem parar. Diz que o que tem para falar será bem difícil de se acreditar. Ela conta que é um espírito. Bem, uma alma fora do seu corpo. Conta que está internada no hospital e há poucos meses percebeu que não estava mais conectada ao seu corpo e começou a perambular pelos lugares. Arthur acha aquilo tudo uma loucura. Tem certeza que seu amigo e sócio Paul.



Após uma tentativa de dormir novamente após a aparição de Lauren, Arthur vai atrás dela no hospital e descobre que é verdade o que ela contou. A partir desse momento, ela começa a fazer parte da vida dele. Para onde ele vai, Lauren também vai. Seu coração se encanta pela aquela doce mulher. Mas, como isso é possível? Ela é um fantasma. Não! É uma alma fora do seu corpo e Arthur tem em sua mente, um compromisso de ajudar aquela mulher que apareceu em seu apartamento. Nada é por acaso. Só ele enxergava ela.

“— Identificar a felicidade quando está aos pés de alguém, ter o valor e a determinação de abaixar-se para tomá-la nos braços... e conservá-la. Esta é a inteligência do coração. A inteligência às cegas, prescindindo da do coração, não é mais do que lógica, e isto não é grande coisa. ”

Seu amigo Paul e seus funcionários achavam que Arthur estava ficando louco, porque falava sozinho e andava como se estivesse acompanhado. Ele tentava explicar as coisas, mas ninguém acreditava. Pergunto: Quem acreditaria?

““Arthur, a dúvida e a escolha que a acompanha são as duas forças que fazem vibrar as cordas de nossas emoções. Recorda que só conta a harmonia dessa vibração. ”

Eles se tornam muitos próximos e percebemos que um sentimento puro e doce nasce entre eles: Amor. Estão apaixonados. Arthur faz tudo para trazer a alma de Lauren ao seu corpo. Estuda tudo sobre coma e afins, mas parece que nada vai ajudar. Lauren só quer aproveitar seus últimos momentos em vida e sente-se viva com Arthur. Parece que só agora que está quase morta, ela finalmente encontrou o amor verdadeiro.

“— São um néctar de felicidade que nunca será saboreado, por negligência, por hábito, por certeza e presunção. ”

Arthur é sensível e impecavelmente lógico e bem racional, mas seu lado emotivo e essencialmente romântico se abre quando começa a conviver com Lauren. Ele é um homem de muitas perdas. Seu pai morreu quando ele ainda era bem pequeno e sua amada mãe morrera quando ele tinha 10 anos. Fora criado num internato. Ele se tornou um homem forte e pronto para as dificuldades da vida. Sua ligação com sua mãe era imensa e descobrimos que seu jeito doce e bem filosófico foi herdado de sua mãe.

“— Não pertenço a um sistema, sempre lutei contra isto. Vejo as pessoas que gostam de mim, vou onde quero ir, leio um livro porque me atrai e não porque seja imprescindível tê-lo lido, e toda a minha vida é assim. ”

Lauren descobre ao lado de Arthur, o que é crescer diante perdas irreparáveis e no estado que se encontra percebe que o temos de verdade é o Presente. Nada além disso é real. Tudo que temos é viver o hoje. Sem tantas restrições e amarguras. O que vale na verdade são os momentos.

“— Repito, que para aspirar a compartilhar uma etapa da vida com alguém, tem que se deixar acreditar, e de fazer acreditar que se baseia uma relação na qual se está realmente disposto a doar. A felicidade não é acessível com um estalar dos dedos. Ou você é doador ou receptador. ”   
  
Eles se apaixonam delicadamente. A dedicação de Arthur em ajudar Lauren é tocante, porque ele sabe que tudo isso pode ser loucura de sua mente, mas se entrega sem medo para viver aquilo que o Destino tinha lhe proporcionado. Não queria pensar que um dia podia perder Lauren. Por mais que soubesse que a mãe dela autorizar a eutanásia no caso de sua filha. Ele ficava abalado, mas Lauren o reanimava e lembrava que ela ainda estava com ele e não importava se ele não a salvasse.

“Cada segundo com você conta mais que qualquer outro segundo. ”

E se fosse verdade que pudéssemos sair de nossos corpos enquanto estamos em coma? Será que aprenderíamos que a vida é rápida e muitas vezes injusta. Não dar segundas chances. Covardes não devem querer enfrentar a vida.

Nessa história vemos a força de um amor que passou barreiras físicas e espirituais. Que abalou os envolvidos e aqueles que estavam ao seu redor. Amar é insanidade. A razão e a lógica só estão até a página 2 no Manual do Amor, o resto é só sentimentos e emoções.

“— Às vezes, somos impotentes diante de nossos desejos, nossas inclinações ou nossos impulsos, e isto produz um tormento com frequência insuportável. ”

O final da história foi emocionante e meu coração ficou ansioso para saber o que aconteceria com os dois. Lauren estava pronta para o que viesse, mas eu estava como Arthur: sem amparo, caso Lauren morresse completamente. Como Arthur ficaria ao saber que sua amada morreu? Como viveria sem o amor da sua doce Lauren? Por que a conhecerá em tal situação mortal?

“— O amanhã é um mistério para todo o mundo, e esse mistério deve provocar riso e desejo, não medo nem retrocesso. ”

O final do livro me pareceu incompleto, mas o cinema acertou ao complementar o final do livro, mas odiei a modificação dos nomes dos personagens e a características físicas dos mesmos. Assim desnecessária, mas adoro a atuação de Reese e Mark no filme.


““Não há nada impossível; somente os limites de nossa mente definem determinadas coisas como inconcebíveis. Muitas vezes é preciso resolver várias equações para admitir um novo raciocínio. É uma questão de tempo e dos limites de nosso cérebro. ”


Um comentário:

  1. Livro do clube desse mês <3
    Eu só assisti o filme e amei <3 <3 Um dos meus romances preferidos (não sou muito fã de romances)
    Beijos
    Balaio de Babados

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