.24 de nov de 2015

[Resenha] O Dia Seguinte - Rhidian Brook

Título: O Dia Seguinte
Autor: Rhidian Brook
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
N° de páginas: 272



Sinopse:
Hamburgo, 1946. Milhares de pessoas vagam, sem abrigo, pela região denominada Zona de Ocupação Britânica. Encarregado de supervisionar a reconstrução da cidade arruinada e de comandar a desnazificação do povo derrotado, o coronel Lewis Morgan requisita uma casa junto ao rio Elba, onde deverá viver com sua esposa enlutada pela morte do primogênito e o filho mais novo do casal, dos quais esteve distante mais de um ano.

Ao contrário do que se espera, porém, o oficial inglês não força os antigos proprietários alemães, um viúvo e sua filha, a abandonarem a casa: insiste em que as duas famílias dividam o mesmo espaço. Assim, nesse ambiente carregado de conflitos e tensões, personagens controversos cujas vidas emocionais são influenciadas pela política e pela história se revelam e tornam a possibilidade de uma reconciliação extremamente real.

Um livro emocionante e convincente, "O dia seguinte" mostra que as cinzas da guerra encobrem não apenas o certo e o errado, mas também a verdade e a mentira.


O Dia Seguinte foi aquele livro que me conquistou pela capa. A elegância e mistério da capa me lembram a “Mulher” da série Sherlock, por isso comprei o livro.

O livro conta a história de uma família inglesa e outra alemã diante a 2°Guerra Mundial entre os anos de 1939 e 1945. O livro é narrado por um narrador-observador, assim temos uma caracterização completa de todos os personagens do enredo.

“ Reflexo de combate: munição para a batalha; terreno difícil a cruzar: acender. ”

A história começa com o Coronel Lewis Morgan sendo eleito prefeito de um distrito dentro da Alemanha derrotada pós-invasão americana-inglesa e assim todo o cenário territorial é de destruição e sofrimento. Ele está há alguns anos sem ver sua esposa Rachel e seu doce e ingênuo filho Edmundo. Em sua trajetória de vida, Lewis é um homem de coração generoso e bondoso e capaz de ver a bondade em todas as pessoas mesmo tendo sofrido muito durante a guerra presenciando ataques fatais contra os alemães e russos e sua perda maior: a morte do seu filho mais velho – Michael – durante um ataque contra a Inglaterra feita pelos alemães.

“ Mas Rachel não podia mais voltar. Aquela inocência se perdera. A bomba a desmontara, e ela não conseguia saber como poderia voltar a ser aquela pessoa. ”

Sua esposa Rachel parece ser o contrário de seu marido. Ela é uma mulher confusa e levada demais pelos contratos sociais. Enquanto o coronel Morgan quer paz entre o Reino Unido e Alemanha e enxerga que os alemães nunca foram maus, mas tiveram um líder monstruoso e cruel – Hitler – Rachel enxerga os alemães como pervertidos e destruidores da paz mundial. Uma mulher de luto e que procura culpado pela morte de seu amado filho.

“ Pensar em Edmund fez Lewis sorrir. Gostava do menino, queria entende-lo melhor; mas a falta de conhecimento incomodava e frustrava sua capacidade de dizer isso.”

Edmundo, o filho caçula do casal é a cópia do pai: doce, generoso, receptivo e muito divertido com suas ingenuidades. Chega na Alemanha e aprende o idioma de uma forma espetacular e tenta contato com Frieda, filha do ex proprietário da mansão onde os Morgan agora moram. O coronel Morgan decidiu que Lubert e sua filha Frieda dividissem sua casa com eles, enquanto o correto seria expulsar os alemães de suas casas para que os ingleses morassem nelas.

O cenário de fundo do enredo é de despertar nossa tristeza e compaixão. Não tolero guerra em hipótese alguma. Sempre persistir na ideia, que guerra é para os fracos que optam por eliminar suas “ameaças” e tentar controlar os demais e isso é claro em O Dia Seguinte. Os ingleses e americanos achavam que os alemães eram TODOS iguais a Hitler. Eram pragas e precisavam ser eliminados o mais rápido possível. Os números são assustadores. Mais de 58% da população alemã ou foi morta ou ficou incapacitada de trabalhar novamente devido perdas de membros e afins. Até hoje temos uma Alemanha que ressurgiu desses tempos obscuros de seu passado.

O coronel Morgan é doce e solitário com todos que encontra. Dar seus cigarros para os pedintes para que possam trocar por comida e água. Sonha com a reconstrução da Alemanha e luta para que a Humanidade continue bem e feliz. Já sua esposa está perdida em seus sentimentos e rejeita seu marido a todo tempo. É alertada que isso pode frustrá-lo e leva-lo a trai-la. Ela simplesmente ignora. Eu fiquei com muita raiva dela. Dava vontade de encher a cara dela de tapas para ela acordar para a vida. Todos nós perdemos alguém que amamos e nem por isso vamos culpar o resto do mundo e rejeitar quem quer nos ajudar. Lewis era paciente com ela SEMPRE. Ele devia virar um santo, porque para aguentar a indiferença da esposa e as afrontas de seu rival no seu trabalho só sendo um santo para ter tanta paciência.

“ Aquela seca tinha de acabar. Ele precisava fazer sua jogada. ”

Temos um livro completo. Duas famílias em extremos opostos da guerra. A Família Morgan é o lado vencedor da guerra. Tem luxo e regalias. Mero engano, meus caros! É uma família como qualquer outra. Tem problemas a todo instante. A Família Lubert é o lado perdedor. Vive na desgraça e o medo constante de serem fuzilados ou não receberem o tal do certificado branco, que nada mais é do que um papel que diz que eles são FICHAS LIMPAS – Não foram associados ao Partido Nazista – e sofrem pelo desaparecimento da mãe de Frieda, o que causa uma rebeldia intensa na jovem de 15 anos que deseja ardentemente que os ingleses se ferrem e seu pai Lubert que é um arquiteto sorridente e amoroso com todos.


“ Ela imaginava a si mesma como uma criança espartana, tirada do conforto de sua família e jogada no entulho de uma terra arruinada onde tinha de aprender a sobreviver. ”

Os destinos dessas famílias se cruzam e trazem efeitos surpreendentes. Enquanto Rachel trata mal Lubert para mostrar a suas amigas que ela tem controle sob os “selvagens”, o alemão a trata com cordialidade e amor. Nisso acontece o fato mais SUPREENDENTE do livro. Não vou contar NADA! Esperavam que eu contasse né?! Eu pensei em contar, mas esse fato muda muitas coisas nos personagens e faz o final tornar-se algo libertador e esperançoso.

As Famílias Lubert e Morgan nunca mais seriam as mesmas depois que o Destino resolveu coloca-los sob o mesmo teto. Haverá remissão de almas nessa casa na beirada do maior rio da região de Hamburgo. Haverá muitas lágrimas, perdão e algumas traições que foram necessárias para que a verdade fosse vista claramente.

“ Dessa forma, o preconceito sem fundamento se transformava em opinião embasada e tornava-se política. ”

Posso dizer certamente que chorei em muitos pontos do livro. Quando vi crianças mortas pelas ruas, mulheres com cartazes atrás de seus maridos e eram acusadas de serem prostitutas ou que quisessem roubar os maridos das tolas inglesas. Quando vi escolas sendo fechadas, livros sendo queimados, crianças mendigando comida ou roubando...quando vi ingleses chamando alemães de depravados e filhos do Diabo. Absurdos e mais absurdos. Ignorância intelectual e falta de compaixão com os demais.

Um livro surpreendente e chocante. Uma escrita suave com um cenário tenso e cheio de dilemas familiares, conjugais e políticos que levam os leitores ao questionamento de seus valores e ideias nessa sociedade atual.



11 comentários:

  1. Caracaaaa com sua resenha já quis chorar... imagina com o livro... aaaffff... eu vou chorar rios .... rsrsrs...

    Livros terapias / Fan page

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  2. Putz! Eu também compro livro pela capa, sou dessas... *-* Amei a resenha.
    Beijos.
    http://reinoliterariobr.blogspot.com.br

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  3. Oi,

    Eu gosto muito de livros que mostram a realidade nua e crua da guerra. Talvez se lessemos mais livros assim saberíamos da importância da paz. Livro colocado na lista de desejados.

    Beijos
    Juci Pauda
    jusemfrescura.blogspot.com.br

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  4. Excelente resenha, o livro n]ao fica para trás.
    Gosto muito de livros que tem a guerra como ambiente, principalmente se a guerra em si é uma parte histórica real. Apesar de não tolerar guerra, acho que enriquece o livro.

    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

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  5. Tenho esse livro na minha estante, gosto muito de ler livros sobre a segunda guerra, pela sua resenha acho que fiz uma excelente aquisição. Lerei em breve. bjs

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  6. Gosto muito de livros que trazem temática envolvendo guerras, fiquei muito curiosa para ler pela sua resenha. Já está na minha listinha.

    Beijos,
    http://quotesperdidos.blogspot.com,br

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  7. Joanice, achei a capa bem bonita, porém não gosto de livros que se passam ou tem como fundo guerras só por isso é bem provável que eu não leria.

    Lisossomos

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  8. OIiie,

    Adorei a capa do livro, está linda. Como amo história, esse livro é a minha caro, adoro livros com o ambiente de guerra e ainda mais que retrata algo que é realidade. A sua resenha ficou ótima, parabéns!

    Bjs

    ♡ Amantes da Leitura

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  9. Oi Jo,
    Que resenha foi essa menina :O Já quis chorar só lendo suas palavras tão emocionadas.
    Amei a resenha, amei conhecer esse livro, então obrigada de coração pela dica.
    Não sou muito fã de livros que abordam guerra, justamente por toda essa maldade e sofrimento.
    Mas esse infelizmente um tema atual e seria interessante a leitura.
    Já estou com raiva da mulher e nem o livro, mas gostei que você disse que ela era assim pra culpar alguém pela morte do seu filho.
    Também acho interessante o autor ter colocado a ingenuidade das crianças em meio a esse inferno.
    Vou colocar na meta de leitura do próximo ano.
    Obrigada de coração :)

    Abraço e Bons Livros,
    Biblioteca do Coração❤

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  10. Oi Jo!
    Adoro livros ambientados na segunda guerra, isso já é um ponto positivo para o livro.
    Parece mesmo um livro supreendente e chocante pelo que você conta em sua resenha. Deu pra conhecer um pouco de cada familia e o que aconteceu para que eles pensassem assim. Gostaria muito de ler esse livro!!
    Beijos

    LuMartinho | Face | Sorteio de Natal

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  11. Oieee lindona, tudo bem??? Já amei a capa, e adoroo livros que nos permitem conhecer os personagens e o cenários das cidades naquela época ao mesmo tempo, principalmente os que falam sobre guerra. é uma leitura pesada e que deprime porque tudo que você lê realmente aconteceu né? Embora minha última experiência tenha sido negativa com livros do gênero, é uma leitura que eu faria sim! Parabéns pela resenha, bjosss

    http://porredelivros.blogspot.com.br/

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