.16 de abr de 2016

[Resenha] Toda luz que não podemos ver

Título: Toda Luz que Não Podemos Ver
Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
N°de páginas: 528

Sinopse:
Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Na ocupação nazista em Paris, pai e filha fogem para a cidade de Saint-Malo e levam consigo o que talvez seja o mais valioso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com a irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, acaba se tornando especialista no aparelho, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure, enquanto ambos tentam sobreviver à Segunda Guerra Mundial.Uma história arrebatadora contada de forma fascinante. Com incrível habilidade para combinar lirismo e uma observação atenta dos horrores da guerra, o premiado autor Anthony Doerr constrói, em Toda luz que não podemos ver, um tocante romance sobre o que há além do mundo visível.



“Quem sabia que o Amor podia matar? ”

Um livro que me conquistou pela cor da capa: Azul e pelo nome sem subjetivo e altamente profundo. Parece que o azul da capa e o nome formam um emaranhado de ondas furiosas do mar.

Em Toda Luz que Não Podemos Ver somos carregados pelas atrocidades da 2°Guerra Mundial. Os relatos começam um pouco antes de 1939 e terminam em 2014. Os personagens do enredo podem de reais ou a junção de diversas pessoas que sobreviveram as crueldades de Hitler e de ditadores que ainda permeiam nossa atual existência.

Marie-Laure LeBlanc é uma jovem de 15 anos que vive com seu pai Senhor LeBlanc que é responsável por todas a chaves do Museu de Paris. Marie-Laure sua filha é cega desde os 7 anos quando perdeu totalmente sua visão. A mãe de Marie não é relatada no livro e deduzimos que faleceu ou deixou a filha quando soube da cegueira da mesma.

Marie-Laure é apaixonada por moluscos e pequenos animais. Começou essa paixão quando iniciou sua jornada ao lado do seu pai as visitas diárias ao Museu de História Natural de Paris. Ela sempre ia ao trabalho do seu pai. Todos de lá já a conheciam e as ensinavam sobre tudo que estava em exposição. Ela era fascinada pela Biologia Marítima e conhecia os mais diversos animaizinhos que vivem no mar. Marie conhecia toda Paris através de uma maquete perfeita criada por seu pai. Nessa maquete eram retratos todos os prédios, ruas, placas, bueiros e afins para que a garota reconhecesse o local sem a ajuda do pai. Eram uma família feliz...até que a Guerra chegou.


“ – Mas não se deve confiar na mente. A mente está sempre vagueando em direção à ambiguidade, às indagações, quando o que vocês realmente precisam é de certezas. Propósito. Clareza. Não confiem nas mentes de vocês. ” 

Em 1939 a França foi invadida pelas tropas alemãs e a população das cidades francesas tinham dois destinos: Ou eram mortos no momento da invasão ou eram presos pelos alemães e morreriam mais tarde em centros de torturas. Marie-Laure e seu pai fogem para a cidade de Saint-Malo no litoral do país e se encontram com o Tio-avô da jovem que é um homem assombrado pelos fantasmas da última guerra, na qual perdeu sua família e seu amado irmão. Seu tio-avô Etienne foi um grande engenheiro de rádios e sabe muito bem fazer um rádio de alta potência e conseguir frequências de longo alcance.
Do outro lado dessa guerra, encontra-se um jovem soldado alemão: Werner. Um alemão de 17 anos que se formara em Tecnologia de Frequências para ajudar seu país, mas agora não está mais certo se esse é o caminho certo. Werner deixara sua irmã menor Jutta, no Orfanato aos cuidados de Frau Elena e de outras crianças para alcançar seu sonho. Venceria a guerra e conseguiria dinheiro para terem uma bela casa para eles e seus amigos.

Na infância de Werner e Jutta, eles ouviam num velho rádio – na qual Werner ajeitou e começou a estudar Física, Química e Matemática para ser um grande cientista e foi chamado para estudar numa escola nazista – as transmissões feitas por Etienne (tio-avô de Marie-Laure) e seu irmãos. Eram aulas sobre Ciência. Ele e Jutta se apaixonaram pela Ciência nessa época. Bons momentos. Hoje, Werner eram um soldado e já vira muitas mortes. Não queria matar. Não tinha sangue-frio. Perdera o pai numa mina de carvão e sua mãe também morrera. Seu amigo Frederick sofrera abusos no Exército alemão e ficara com sequelas irreversíveis em seu corpo e mente. Ele era fraco. Não servia para o trabalho. Os outros companheiros de Werner também eram jovens. Não tinham mais escolhas. Não eram donos de seus destinos. Werner não acreditava nisso.

“ – Seu problema, Werner – diz Frederick -, é que você ainda acredita que sua vida lhe pertence. ”

Os destinos de Marie-Laure e Werner se cruzam quando a Morte está à procura de ambos. Os dois lados de uma mesma guerra. Faces diferentes, todavia, unida pela esperança de que a Liberdade de Escolha ainda exista. Werner encontra a jovem cega porque foi sua escolha. Ele não era fraco. Era humano. Não pedia pela guerra e nem clamava pela morte de outras pessoas. Werner mostrara que a escolha certa sempre está ao nosso alcance, mas tudo tem suas consequências.

“ – Você nunca pode deixar de acreditar. Essa é a coisa mais importante. ”

Em Toda Luz que Não Podemos Ver temos uma história de arrasar os corações mais duros. Marie-Laure é a encarnação da Coragem e da Ingenuidade. Werner é a encarnação da Liberdade e da Esperança. Senhor LeBlanc é o símbolo do Amor sem Limites. Etienne é o Recomeço. Jutta é o símbolo maior do Perdão e do Amor Humano.

“ Estar aqui, neste quarto, no alto desta casa, fora do porão, com ela: é como se fosse um remédio. ”

Uma guerra que destruiu não só a Europa, mas devastou todo o planeta. Não importa quem venceu, pois numa guerra não há lados certos. Quando o ser humano apela para a agressão física e se apossa do poder de decidir quem vive e quem morre, é porque perdeu seu juízo e amor por seus semelhantes. Personagens surgem para mostrar que o Amor sempre pode vencer qualquer guerra e que Ele é a essência da nossa existência.

Esse livro fez minhas lágrimas aparecem sem vergonha ou pudor. O final foi arrebatador ou simplesmente devastador. Sabe quando vemos o Mal face a face e nos deparamos com a Esperança no meio do “Juízo Final”? Bem, é assim o final desse livro maravilhoso. Temos perdas cruéis ao decorrer de mais de 526 páginas, mas tem uma que vai chocar todos os leitores. Não esperava e me senti vazia quando cheguei nessa morte, entretanto a guerra não perdoa a quem é “bonzinho” ou “vilão”.

Toda Luz que Não Podemos Ver temos um livro histórico recheado de personagens completamente reais e que estão espalhados pelo mundo. Sobreviventes aos terrores causados por nossas mãos humanas. Um enredo com relatos arrepiantes, mas com o elixir da vida chamado Amor para nos mostrar que a salvação do ser humano é escolher o caminho da Liberdade e do Amar e ser Amado.



11 comentários:

  1. Olá!

    Livros com a temática Guerra acabam comigo. A premissa dele é linda, mas não é uma leitura que eu faria, não suportaria tantas mortes e tantas injustiças. A Guerra é implacável, mas esse livro tem muito a nos ensinar.

    ResponderExcluir
  2. Adoro histórias na Segunda Guerra Mundial. Já li um livro que é assim começa em tal ano e termina nos dias de hoje, acho eles muito intensos.
    E outra coisa, tenho uma paixão pelo título do livro, espero ter financeiro para um dia compra-lo.
    Beijinhos, Helana ♥
    In The Sky, Blog / Facebook In The Sky

    ResponderExcluir
  3. Olá Joanice, tudo bem?

    Pelo que entendi o livro se passa com o plano de fundo de uma guerra. Gosto bastante de livros que abordem essa temática, como A vida em tons de cinza e O menino do pijama listrado (choro sempre que leio ou assisto ao filme!). Vou deixar a dica anotada aqui, mas provavelmente este seria um daqueles que você olha na livraria e deixa ele lá, rs.

    Espero que consiga gostar dele tanto quanto você!

    Beijos

    ResponderExcluir
  4. Adoro livros com histórias de amor, e o cenário da guerra, assomado às peculiaridades dos personagens que você apresentou, me dão um generoso convite. Vou adicionar esse livro na lista das minhas próximas leituras =D

    Abraços,
    Ana Ruppenthal

    ResponderExcluir
  5. Este comentário foi removido por um administrador do blog.

    ResponderExcluir
  6. Oiii flor, tudo bem?
    Eu tenho um encanto e admiração por livros que falam sobre a segunda guerra mundial, acredito que não existe tantos livros assim no mercado atual, que eu conheça, despertando então meu interesse. Gostei muito da sua resenha e espero um dia poder ler.
    Beijão

    ResponderExcluir
  7. Olá, tudo bom?

    Confesso que esperava uma história totalmente diferente! Gosto de livros que retratam a segunda guerra mundial. Gostei bastante da sua resenha, mal posso esperar para ler esse livro ♥

    Beijos, Rob
    www.estantedarob.com.br

    ResponderExcluir
  8. Olá Jo, desde quando lançou eu venho namorando esse livro, consegui comprar no começo de janeiro, mas ainda não tive a oportunidade de ler. Adorei a resenha e fiquei ainda com mais vontade de realizar logo essa leitura.

    Abraços
    Literaleitura

    ResponderExcluir
  9. Olá, tudo bom?
    A cada nova resenha desse livro eu fico mais curiosa para lê-lo. Gosto muito de livros que se passam na segunda guerra mundial e a forma como você falou que é desenvolvida a história - chegando até 2014, me chama muito a atenção pois os livros com essa temática geralmente terminam com o fim da guerra. Parabéns pela resenha!

    Beijos!
    @PollyanaCampos
    Entre Livros e Personagens

    ResponderExcluir
  10. Oi! Estou com bastante vontade de ler esse livro, sua resenha acabou de me deixar ainda mais animada oara a leitura. Essas temáticas de guerra geralmente dão livros bons mesmo e se o autor sabe criar as personagens, que parece ser o caso, fica melhor ainda.

    Bjs, Cass

    ResponderExcluir
  11. Oi Jo
    Eu já tinha visto esse livro e sua capa e claro que chamou minha atenção e o titulo que realmente são bem fortes. Mas eu não tinha parado para ler sinopse ou procurado resenhas para saber do que se tratava. E agora lendo sua resenha fiquei bem encantada! Adoro livros com essa ambientação da segunda guerra e com certeza ele estará na minha lista de leituras.
    bj

    ResponderExcluir

© Poesia que encanta a vida - 2016 | Todos os direitos reservados. | Tecnologia do Blogger