.3 de ago de 2016

[Resenha] Os Bons Suicidas - Toni Hill

Título: Os Bons Suicidas #2
Autor: Toni Hill
Editora: Tordesilhas(Cortesia)
Ano: 2014
N° de páginas: 392
Sinopse:
Noite de Reis, 2011. No meio da madrugada, o inspetor Héctor Salgado recebe um telefonema: a secretária do diretor-geral de uma conhecida fábrica de cosméticos de Barcelona se jogara nos trilhos do metrô. Com a investigação em curso, Salgado vai descobrindo por trás desse suicídio a complexa e perigosa rede de mentiras que envolve um grupo de funcionários da empresa. Segundo volume da série que se iniciou com a publicação de O verão das bonecas mortas, Os bons suicidas não decepcionará os leitores que se encantaram com o ritmo ágil e a escrita elegante de Toni Hill – e também com sua capacidade de criar finais desconcertantes.



Se Toni Hill mostrou seu talento em O Verão das Bonecas Mortas em Os Bons Suicidas ele simplesmente consagra sua escrita criativa, instigante e surpreendente.

O detetive Héctor Salgado retorna com mais sede de vingança do que antes. A seguir, temos SPOILERS do livro anterior, pois sua ex esposa Ruth desaparecera sem deixar rastros. A última vez que vira Ruth foi antes de descobrir a verdadeira causa da morte de Gina e Mart.

“ – Mamãe sempre dizia que papai só é duro por fora. E ela o conhecia bem. ”

Seis meses se passaram e Ruth é dada como morta. Não há movimentação em sua conta. Nenhuma passagem comprada. Seu número de celular só dá em caixa postal. Héctor acredita no pior, mas nunca fala sobre isso com seu filho. Não quer desanimá-lo e matar a esperança de ver sua mãe novamente. Em paralelo a investigação sobre o sumiço de Ruth, temos um caso de circunstâncias desafiadoras e macabras. Dois suicídios. Parecem normais, mas as vítimas são Gaspar Ródenas e Sara que são funcionários da Alemany Company que vende cosméticos e que em menos de seis meses cometeram suicídio.

“Quando lhe terá ocorrido acabar coma vida da esposa e da filha? Em quem momento a loucura se apoderou dele e deformou a realidade cotidiana até convencê-lo de que a morte era a única saída possível?''

O estranho desses casos não é só a ligação direta com essa empresa, mas uma foto que eles receberam antes de se matarem. Gaspar que foi o primeiro dos suicidas, recebeu uma foto de três cachorros enforcados numa árvore e após isso mata sua filha de 11 meses, sua esposa e tira sua própria vida. O seu caso chocou a pequena cidade onde morava e se entrelaçava com o suicídio de Sara quando a mesma se joga na frente de um trem. Os dois faziam parte de uma equipe de pessoas selecionadas pela Companhia Alemany para um treinamento no ano anterior e essas pessoas que estão numa foto que cai nas mãos do detetive Salgado são as vítimas. Coincidência? Serão que são assassinatos? Ou apenas suicídios cometidos por uma depressão profunda?


Héctor juntamente com seu novo assistente, o jovem Roger Fort que é um inspetor iniciante e admirador do trabalho de seu superior.

Formando uma equipe com outros investigadores, eles suspeitam do envolvimento de todos que foram ao treinamento building no ano anterior. Com um terceiro suicídio, e por isso, o detetive Salgado tem certeza da ação de Sílvia Alemany nessas mortes. A sócia-proprietária da empresa é mulher muito cautelosa, fria e bem articulada e desperta repulsa no detetive.

E com os últimos acontecimentos tem criado laços de sua intervenção nesses suicídios.

A investigação do caso de Ruth vai parar nas mãos da investigadora Leire Castro que está grávida, mas não aguenta mais ficar em casa e com a reabertura do caso, porque muitas informações sobre a vida familiar e pessoal de Ruth vem à tona e isso gera revelações inesperadas e chocantes para os leitores.

Será que Ruth fora sequestrada e morta? Será que apenas decidira partir sem avisar? Por que optaria por sumir e deixar as pessoas que a amam preocupadas?

As revelações dos casos de suicídios começam a gerar medidas extremistas da parte de Héctor porque o cerco está sendo fechado e os investigados deram passos errados e a “corda” sempre arrebenta para o lado do mais fraco e os mais fortes decidem por eliminar provas que levam a verdade brutal e chocante.

“ Por um momento ele ficou sem saber se a beijava ou lhe dava uma bofetada. E ali em pé, imóvel e suado, compreendeu com medo que também não sabia qual das duas opções o excitava mais. ”

Em Os Bons Suicidas temos uma narrativa ágil e fluída. Devorei o livro em um dia. Não me alimentei direito, porque necessitava saber a verdade por detrás dessas mortes e apenas fiquei mais ansiosa pelo outro livro porque o desaparecimento de Ruth não é esclarecido, mas dicas são deixadas para sabermos quem está envolvido nesse acontecimento.

Héctor continua um homem de raiva intensa, porém mais controlado. Aqui pontuo que o detetive só se tornou um ser de ira desenfreada porque a mãe dele sofrera por anos de violência vinda de seu marido e isso despertou um lado mais primitivo de Salgado. Ele agora vive com seu filho Guillermo e isso acaba gerando conflitos e que posteriormente culmina numa relação mais amigável e amável.

“[...] de que as pessoas que possuem esses encantos vivem em perigo sem o saber, porque sempre há alguém que as ama à distância, ou as ama demais. Ou simplesmente não suporta amá-las desse modo. ”

A agente Castro vive um turbilhão de emoções porque agora será mãe, mas não tem ao seu lado a figura presente de Tomás. Ele parece ter medo de relações mais profundas e dependência do outro criando dúvidas perturbadoras em Leire, que por muitas vezes sente-se sozinha e abandonada em seu apartamento e apenas em seu trabalho consegue ver-se importante e amada.

Silvia a sócia-proprietária da companhia que está sendo investigada foi uma jovem de decisões impulsivas e com isso ganhou dois filhos e a indiferença do seu poderoso pai que deu como castigo uma vida regrada e controlada. Com isso um lado frio, pragmático e manipulador se aflorou nessa mulher e vemos isso claramente em suas falas e principalmente diante dos suicídios, todavia a fragilidade humana aparece com uma intensidade voraz quando ela descobre uma traição cruel de seu noivo com uma pessoa que ela nunca esperava trai-la.

Os outros personagens envolvidos nesses acontecimentos trágicos pouco aparecem, como o irmão de Silvia, os empregados que foram no treinamento de building e algumas aparições do filho de Héctor – Guillermo – que é um adolescente responsável, maduro e controlado.

Toni Hill conseguiu fazer dos Os Bons Suicidas um suspense delicioso, perturbador e viciante. O texto é bem pontuado e cheio de detalhes que deixam o leitor numa “sinuca”, na qual não sabemos qual a melhor tática para pegar os verdadeiros culpados dessa trama diabólica.

Espero que Os Amantes de Hiroshima nos leve novamente em uma história com um final alucinante e perturbador. Com um Héctor mais vidrado em encontrar o verdadeiro destino de Ruth no dia que sumira e em crimes sangrentos e macabros.

Livro #3

Ah já ia esquecendo a capa condiz muito com o enredo do livro, mas só saberão o real significado dos cachorros os leitores que conseguirem se interligar com um livro com uma história única e atrativa.

10 comentários:

  1. Essa resenha me fez lembrar o motivo de eu gostar tanto da sua escrita hauaha
    É sério que você conseguiu ler tudo em um dia? Saudades de quando eu conseguir ler nesse velocidade.
    Faz tempo que não leio nada do gênero. Tenho me aventurado muito em crônicas curtas e sinto falta de algo maior. Adicionarei o primeiro ao meu skoob, pra me lembrar dele quando for comprar um novo livro.

    http://www.eubrunocardoso.com.br/

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  2. Olá
    Uau, esse livro parece ser muito empolgante, gosto muito de thriller assim, cheio de suspense, mas primeiro vou ter que ler o primeiro livro já que parece ter muita informação nele.
    Uia já gostei da capa Os Amantes de Hiroshima.
    Dica super anotada

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  3. Gente! Quanto Mistério! Adoro!! Já tinha vontade de ler O Verão das Bonecas Mortas, mas agora eu simplesmente PRECISO!!! Porque senão não poderei dar continuidade e chegar em Os Bons Suicidas!
    Sua resenha está ótima e conseguiu me deixar super curiosa! Adorei!

    https://literakaos.wordpress.com/

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  4. Não conhecia o autor, mas achei bem instigante o livro. É engraçado que eu não tenho costume de ler livro assim, sabe, mas sempre que pego um mistério tipo Dan Brown ou Harlan Coben, eu simplesmente como os livros! Preciso conhecer novos autores, então vou colocar Toni na minha listinha. ;)
    Bjo
    www.viciadosemleitura.blog.br

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  5. Gente!!!!
    Esse é aquele tipo de livro que eu simplesmente AMO!
    Não o conhecia e confesso que a capa não é muito convincente, mas cara... sua resenha está no ponto. SIMPLESMENTE PRECISO dessa série! hahaha

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  6. Ola
    Adoro Toni Hill. Conheci os livros num evento de lançamentos da Tordesilhas. Me apaixonei. Li O verão das bonecas mortas e Os bons suicidas está aqui na pilha. Sua resenha está tão boa que acho que vou passar ele na frente para ler logo.
    Bjs

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  7. Oiee

    Confesso que li a resenha meio por cima, ainda vou ler O verão das bonecas mortas e fiquei com medo dos spoilers.
    Percebi que tenho que ler o quanto antes, bem meu estilo, adoro mistérios.
    Só aumentou minha curiosidade!!

    bjs
    Fernanda
    http://pacoteliterario.blogspot.com.br/

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  8. Olá!
    Adoro livros de investigação e esse parece ótimo.
    Gostei de saber que a narrativa é ágil, o que torna a leitura ainda mais empolgante.
    Héctor Salgado parece um personagem marcante e bastante inteligente.
    Com certeza entrou para a minha listinha, mas antes preciso ler o primeiro.
    Beijos.

    Li
    Literalizando Sonhos

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  9. Não é muito o tipo de leitura. Acho que como leitura o enredo não me prenderia muito.

    http://laoliphant.com.br/

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  10. Oie
    acho que já tinha ouvido falar e achei o titulo muito interessante, parece ser uma leitura bem diferente e que com certeza despertou minha curiosidade, adorei a dica

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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