.28 de out de 2016

[Resenha] Como Viver Eternamente - Sally Nicholls

Título: Como Viver Eternamente
Autora: Sally Nicholls
Editora: Geração
Ano: 2014
N° de Páginas: 232

Sinopse:
Meu nome é Sam. Tenho onze anos. Coleciono histórias e fatos fantásticos. Quando você estiver lendo isso, provavelmente já estarei morto. Sam ama fatos. Ele é curioso sobre óvnis, filmes de terror, fantasmas, ciências e como é beijar uma garota. Como ele tem leucemia, ele quer saber fatos sobre a morte. Sam precisa de respostas das perguntas que ninguém quer responder. ”Como Viver Eternamente”, é o primeiro romance de uma extraordinária e talentosa jovem autora. Engraçado e honesto, este é um livro poderoso e comovente, que você não pode deixar de ler. A autora tem apenas 23 anos e embora seja seu primeiro livro, ele está sendo lançado em 19 países, dirigido a crianças, adolescentes e adultos.

Hoje venho falar de um dos livros que mais me marcou quando criança e que ainda hoje me traz recordações tão boas e intensas que é Como Viver Eternamente. Este livro tornou-se pra mim um dos melhores da vida e praticamente um livro de cabeceira eterno. Sempre que posso o releio para me sentir bem, para me aliviar um pouco, ou entre uma leitura pesada e outra. Para esclarecer melhor: Li este livro numa fase da minha vida onde muitas coisas ruins estavam acontecendo, tantos pessoais quanto familiares, não entendia o porque de tantas coisas disso estar acontecendo comigo, me sentia triste a todo instante, e um dia minha professora pediu que o lesse, e quando li foi como um se eu tivesse tomado fôlego para encarar as coisas, como se aquela leitura tivesse resolvido todos os problemas do mundo. Isso me ocorreu aos 10 anos, e de lá para cá carrego este livro para todo canto. 

Como Viver Eternamente à principio nos levará a uma historia de mais um protagonista doente que busca nos seus últimos dias de vida aproveitar ao máximo e se divertir em quanto há tempo. Possui uma lista de sonhos a se cumprir, como vemos em tantos outros livros do gênero, contudo engana e muito quem pensa que é só isso. Sam é um pequeno garoto de 11 anos e ciente que ira morrer logo. Claro que gostaria ser uma criança “normal” brincar sem ter medo de cair, correr até seus pulmões estourarem, mas que faz de seus últimos dias uma espécie de experimento ao qual vai escrevendo em um livro. A ideia surgiu da sua professora particular que certo dia viu que o mesmo já gostava de coletar fatos e noticias interessantes, e vendo que era isso que Sam gostava o incentivou a torna-lo real para que outras pessoas também pudessem saber do que ele mesmo gostava como também de suas novas descobertas. 

Seu amigo Felix, que também possui leucemia, decidi ajuda-lo nas suas descobertas e na busca de fatos extraordinários, e Felix pede para que Sam faça uma lista de seus sonhos e que ele o ajudara a realiza-los. É quando a história se inicia onde ambos saem em busca de novas descobertas, e viver cada dia intensamente sem pensar no amanha. 

Como falei inicialmente é uma historia parecida como qualquer outra de mesmo gênero, ao qual já sabemos o final. Entretanto a historia de Sam é diferente. Ele é um personagem muito sagaz, alegre e curioso, e em alguns momentos perde o controle como todo mundo. Em seu livro vai colocando algumas perguntas intituladas “Porque Crianças tem que Morrer?” “Porque Deus mata crianças?” “Morrer dói?” São essas perguntas de ferir a alma que nos sensibilizamos diante um mundo ao qual damos tanto valor a certas coisas (que na maioria das vezes não acrescentam em nada) quando na verdade perdemos tempo e vida sem nos preocupar com o mais importante. 

Temos ainda os personagens coadjuvantes como a família de Sam. Seu pai é meio reservado, calado, adora o filho porem não aceita sua condição. Sua mãe é a protetora, quer sempre o melhor para o filho se preocupa o tempo todo, e chora escondida como o marido. Possuem uma convívio com problemas familiares, brigam um pouco , discordam do que é melhor para Sam...

Seu amigo Felix veio para tornar o livro mais equilibrado, amenizando a carga dramática com cenas engraçadas e alegres. Ele é um adolescente de mais ou menos 15 anos e leva sua condição de vida de forma irrelevante como se não importasse para o que vai acontecer com ele. 

Sally Nichols possui uma narrativa clara e objetiva. Narrado em primeira pessoa, ela conseguiu mergulhar dentro dos pensamentos de uma criança e transmitir para o leitor um trabalho rico, detalhado e cheio de potencial.

O livro abordará algumas coisas a mais, que não são exploradas de forma profunda, mas que estão lá para alertar ou para salientar ocorridos da humanidade, como o homem que pesou a alma. Sim, pesou a alma. O cientista pegou uma balança e colocou um pessoa morrendo em cima e viu que seu corpo aparentava perder peso quando os batimentos cardíacos paravam. 

Como Viver Eternamente é daqueles livros que ti deixam com os olhos lacrimejados. Impossível mesmo não se emocionar com o final do livro que acabou de forma maravilhosa. Quero com esta resenha não apresentar um livro fabuloso que mudará sua vida para sempre, mas apresentar um livro que foi muito importante para mim por possuir uma mensagem de esperança, amor, amizade e cumplicidade, e que se eu conseguir fazer algum de vocês lerem este livro por conta da minha opinião, já estarei contente por perpetua uma obra tão significativa e cheia de nostalgia que me marcou muito. Espero que gostem e uma ótima leitura a todos.


4 comentários:

  1. caro Douglas, que resenha emocionante. fiquei aqui engasgado, um livro assim, que toma morada na cabeceira da cama, deve ser fantástico. num primeiro momento tomei como comparação um livro que li - "escrito nas estrelas" - porque precisava de um parâmetro qualquer e porque "sicklit" não me assustam, os acho necessário até.
    ao me deparar com questões como esta - "Por que Deus mata crianças?" - tanto religiosa, quanto filosófica é que me apego à doutrina espírita, principalmente por já ser pai. por outro lado tomo, mais uma vez, ciência da fugacidade da vida e o quanto nos preocupamos com coisas pequenas. é preciso viver experiências, provar felicidades, amores e até tristezas, para viver plenamente.
    eu já havia lido outra resenha sobre este livro, mas não tão carregada de sentimentos quanto a sua. é uma dica que guardarei com carinho.

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  2. Douglas!
    Acontece comigo a cada vez que leio o Pequeno Príncipe, sempre aprendo coisas novas e diferentes.
    Não li ainda esse livro, porém por sua paixão através da resenha, já sei que será uma ótima leitura.
    “É melhor saber coisas inúteis do que não saber nada.” (Sêneca)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de NOVEMBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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  3. Caro Douglas, esse é pra devorar! E chorar um bocado. Claro que logo lembrei do queridinho A Culpa é das Estrelas, como não? As perguntas lançadas pelo garoto são cruéis para uma criança entender, até nós adultos paramos para questionar esses porquês. E o mais doloroso: como explicar a alguém terminal questões assim? Como encontrar conforto em meio à finitude, se não por meio da fé? E quem não a tem?
    Quero ler este livro. Obrigada por compartilhar. Bj

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  4. Oi Douglas
    Sua resenha me emocionou, claro que vou chorar rios lendo este livro, crianças não deveriam morrer, muito menos saber disso. Vou anotar e comprá-los porque quero que minha filha leia também. Ultimamente estou sempre com a cabeça cheia de pequenos problemas e preciso saber relevar um pouco mais. Ótima dica.
    abraços
    Gisela
    www.lerparadivertir.com

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