.12 de abr de 2017

[Resenha] O Teste #1 - Joelle Charbonneau

Título: O Teste #1
Autora: Joelle Charbonneau
Editora: Única
Ano: 2014
N° de Páginas: 320


Sinopse:
No dia de formatura de Malencia ‘Cia’ Vale e dos jovens da Colônia Cinco Lagos, tudo o que ela consegue imaginar – e esperar – é ser escolhida para O Teste, um programa elaborado pela Comunidade das Nações Unificadas, que seleciona os melhores e mais brilhantes recém-formados para que se tornem líderes na demorada reconstrução do mundo pós-guerra. Ela sabe que é um caminho árduo, mas existe pouca informação a respeito dessa seleção. Então, ela é finalmente escolhida e seu pai, que também havia participado da seleção, se mostra preocupado. Desconfiada de seu futuro, ela corajosamente segue para longe dos amigos e da família, talvez para sempre. O perigo e o terror a aguardam.
Será que uma jovem é capaz de enfrentar um governo que a escolheu para se defender?



“Apenas um sonho de que meu nome seja chamado para o Teste.”

Uma distopia completa que alia personagens que sabem as condições que estão inseridas, mas são obrigados a perceber quais foram os reais motivos que levaram a atual condição de sua existência.

“[...] que nem sempre você pode conseguir o que quer.”

Malencia Vale é uma jovem de dezesseis anos que sonha ser selecionada para o Teste e trabalhou durou nos anos escolares para ser vista pelos professores e autoridades da Comunidade das Nações Unificadas como destaque e uma possível líder para a nação depois dos vários estágios da Guerra. Seu irmão Zeen também tinha uma vontade extrema de ser selecionado, mas fora e isso o endureceu, por isso Cia – apelido de Malencia – não alimenta muitas expectativas mesmo que seu pai fora um dos finalistas do Teste há anos atrás e estudar Genética e Botânica que ajudam na reconstrução de árvores frutíferas para a comunidade de Cinco Lagoas.

A comemoração dos formandos da sala de Valencia termina sem nenhum aluno ser chamado pela capital, Tosu City e isso frustra seus sonhos e a deixam sem rumo a ser seguido agora. Todos seus amigos já sabem o que no querem trabalhar. Porém, o Destino tinha outros caminhos nada agradáveis para nossa jovem narradora.

“O Teste é mais do que o que acontece nas classes. Pedir ajuda durante a noite será visto como fraqueza. Líderes não são fracos. O Teste está procurando líderes.”

No dia seguinte a formatura, os formandos têm folga para festejar com seus familiares, mas Cia está triste e decide passear pela praça da cidade. Quando está voltando um dos seus irmãos avisa que a Magistrada Owens a aguarda em sua casa para uma conversa. Cia sente-se apreensiva, porque tem certeza que sua mãe pedira a magistrada para ajuda-la a escolher uma área para trabalhar na comunidade, todavia Cia não sabia que tinha sido selecionada juntamente com Zandri, Tomas e Malachi que serão seus acompanhantes e representantes de Cinco Lagos no temido Teste.

Partem no dia posterior e Malencia sente que seu tutor Michal está lhe dando dicas que parece não dar aos seus amigos. Isso parece loucura, porém ela sente-se especial e com mais medo, devido às coisas que seu pai contara na noite anterior sobre as lembranças fragmentadas que tem do Teste e que alimentam seus pesadelos que trazem amigos mortos e muito sofrimento que resultou em sua vaga na Universidade. Seu pai lhe dera um último conselho: Não confie em ninguém.

Aos chegarem a Tosu City se juntam e somam 108 selecionados para a maratona de provas que darão vinte vagas após cinco etapas de testes. Todos os participantes estão separados por suas habilidades que conjuntamente somam ao caráter e habilidades essenciais ao “Líder Perfeito”. Cia está nervosa, mas não quer decepcionar sua comunidade e pais e sente-se mais forte e protegida com o amor que nasce entre ela e Tomas e a amizade de Malachi e as habilidades de Zandri.

“Eles podiam tê-la salvado. Em vez disso, eles a deixaram morrer.”

Os testes começam e o horror que seu pai evocou dos seus piores pesadelos que poderiam ser apenas mentiras inventadas pelo seu cérebro parecem ser apenas peças do quebra-cabeça que foi deixado após apagarem sua memória. Os desafios parecem insuportáveis para qualquer ser humano. Será que os fins justificam os meios? Será que existe realmente “Líderes Perfeitos”? Que tipo de Teste era aquele?

Cia se depara com um cenário de terror e guerras entre os selecionados que culminam em perdas irremediáveis que nunca foram divulgadas além das fronteiras daquela cidade. Ir para o Teste nunca foi a melhor escolha.

Qual serão as provas que Cia e seus amigos passaram? O que o Governo queria com o Teste? Quais os reais motivos da existência desses horrores? Será que Cia sobreviverá e conseguirá sua tão sonhada vaga na universidade? Será que vale a pena usar todos os meios para conseguir algo que deveria ser direito de todos? Até onde somos capazes de ir para conseguirmos o que queremos?

“Qualquer um que verbalize opiniões negativas sobre o Teste ou é transferido para um posto avançado ou desaparece.”

Fantástico! Uma distopia que simplesmente deixa Jogos Vorazes e Divergente no chinelo, porque trabalha com conceitos mais aprofundados de Democracia, Política, Liderança, Medo entre outros.

Cia nem de longe lembra a instável da Katniss Everdeen e por isso tornou-se minha personagem predileta no gênero. Sua capacidade de dedução e lógica é mais afiada e sua intuição bem mais apurada do que nossa amiga do arco e flecha. Melancia é dotada de controle emocional impressionante para a idade e dificilmente é movida pelos discursos alheios, o que é ocasionado pelo seu poder de observação bem trabalhado e a separação de emocional e racional nos momentos exatos.

Tomas Endress é nosso personagem principal/secundário que mostra uma realidade brilhantemente bem construída, porque diferente de Peeta, ele mostra seus dois lados. Nada de um anjo e um amor incondicional por sua amada. Ele mostra que pode não ser confiável e agir de forma desleal se for necessário. Ele apresenta sua face de sobrevivente para Cia que ás vezes, a jovem prefere não acreditar existir. Ele é leal até o último fio de cabelo com os amigos, porém não esconde as “sombras” que assombram seus pesadelos e escolhas errôneas que fez no “jogo”.

Foto do blog Eu li, e você?

Temos personagens secundários como os amigos de Cia, como Will e seu irmão gêmeo que são de uma colônia que sofre com escassez de alimentos e são super divertidos, Zandri e Malachi que são de Cinco Lagos e são o porto seguro além de Tomas para nossa jovem narradora. Porém um aviso aos inocentes: Não confie e nem se apegue a ninguém, porque lágrimas e decepções vem aos montes nesse primeiro volume.

O cenário do livro é um EUA – Sempre, meu Deus!!! – que restou após sete estágios da grande guerra entre os States, Aliança Oriental e Aliança da América do Sul que resultou no massacre da espécie humana e restou apenas a restauração do país através de pessoas capacitadas em devolver terras férteis e melhores condições de vida para os sobreviventes. Não sabemos o ano e nem século por isso deduzi ser uma Terceira Guerra Mundial. O país é dividido em comunidades e a de Cia é uma das menos populosas e a que ganha menos olhares orgulhosos quando chegam depois de ano no Teste.

“Há até algumas flores desabrochando sob o Sol claro. Um dia perfeito que zomba do horror da noite anterior.”

Em nenhum momento tive problemas em continuar a leitura, porque a história é fluída e bem dosada. O cenário do enredo é o Teste e não romance, porque o que acontece com Cia e Tomas é apenas algo que já existia e a jovem nunca tinha percebido ou fingia não saber dos sentimentos de Tomas. Nossa protagonista não é emocionalmente instável e nem aquela garota cheia de “mimimi” e por isso conquista facilmente o leitor.

Esse primeiro volume da trilogia termina numa parte importante para todos os personagens, principalmente por causa de uma descoberta que promete desequilibrar todos os vencedores do Teste e trazer ansiedade e medo para aqueles que terem coragem e estômago para os dois próximos volumes da série.

“Podemos superar um sistema estabelecido há décadas?”

O Teste é o início de uma série que trabalha a alienação, manipulação e controle que os líderes políticos mantêm com os cidadãos que são vistos como “necessários”, mas que não passam de tirania e violência verbal, psicológica e emocional contra aqueles que deviam ser protegidos pelas pessoas que essas escolherem serem seus governantes.

“O Teste nem sempre é justo, nem sempre é correto.”


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